Uma nova era nos quadrinhos. Relançamento do Universo DC começou hoje

Hoje começou o que vem sendo chamado de “revolução” pela mídia especializada em quadrinhos. A editora DC Comics, uma das gigantes do mercado de super-heróis, zerou toda sua numeração e relançou todo seu universo de quadrinhos com 52 novos títulos. A verdade é que muitos criticaram a iniciativa meses antes de ter alguma das novas publicações em mãos, e com razão, pois tudo levava a crer que inúmeras incongruências seriam encontradas. Uma cronologia zerada para alguns e com eventos antigos ainda relevantes para outros personagens demonstrava a organização da bagunça que os editores tentavam fazer. Aqui mesmo no Páprica fiz um post citando 5 motivos para dar um mínimo de crédito à iniciativa. Pois bem, depois de muito hype, edições esgotadas e reclamações dos leitores, eis que chega o dia do lançamento da primeira edição deste relaunch: Justice League.

O que, para mim, de mais revolucionário tem esse relançamento é o fato de eu, um leitor brasileiro, ter oportunidade de comprar uma versão digital do gibi no mesmo dia que os americanos. No meio da tarde dessa quarta-feira, 31 de agosto de 2001, comprei minha primeira revista em quadrinhos americana no dia de seu lançamento. Depois de mais de 20 anos me sentindo um pária, comprando revistas caras em papel ruim, muitas vezes com cortes e sem a garantia de que no próximo mês teríamos uma próxima edição, me senti um cidadão do mundo ao pagar U$3,99 por uma revista virtual. Mas valeu a pena?

O que posso dizer é que Justice Legue #1, de Geoff Johns e Jim Lee, não é uma história do Flash, mas passa como um raio. Não sei ainda se o ritmo imposto é extremamente dinâmico ou muito raso. O fato é que muito pouco se conta nessa primeira edição, além do que todo mundo já sabia. Serve muito mais para colocar novas posturas em personagens conhecidos do que criar um fiapo de trama. A seguir existem spoilers sobre a primeira edição, continue por sua conta e risco.

Começamos acompanhando a polícia de Gotham perseguindo Batman, que por sua vez persegue uma criatura que, em seguida, mostra ser um parademônio de Apokolips, em uma referência interessante a ótima mini-série Odisséia Cósmica. A perseguição é interrompida quando Hal Jordan, o Lanterna Verde, aparece e, ainda sem conhecer Batman, o ajuda a perseguir a criatura. Quando esta é derrotada, eles encontram um tipo de mini-computador em seu poder (os leitores habituais saberão que é uma caixa-materna) e por se tratar de um artefato alienígena, resolvem falar “com aquele cara de Metrópolis”. Quando chegam a cidade, Hal Jordan leva a pior contra um borrão azul e vermelho que depois mostra ser o Superman. E aí a história acaba…

Infelizmente a primeira impressão não é a melhor. Em certos momentos me senti lendo uma HQ da Image Comics dos anos 90, com muita destruição e pirotecnia mas pouquíssimo conteúdo de fato. Os diálogos são rasos e, apesar de algumas referências interessantes, o leitor mais antigo se sente praticamente assaltado ao pagar 4 dólares por uma história tão curta. Fica a pergunta: se o objetivo é captar novos leitores, porque não lançar as primeiras edições com, pelo menos, o dobro de páginas? Se a desculpa para pouco conteúdo é um roteiro dinâmico, a editora deveria se preocupar em mostrar mais páginas aos leitores para que algum interesse fosse gerado. A impressão que fica é a de uma amostra paga que acaba saindo bem cara.

Mas o saldo não é de todo negativo. A história está longe de ser tão ruim quanto muitas fases já vividas pela Liga. Alguns personagens parecem um pouco descaracterizados, como um Superman exibicionista e um Hal Jordan com personalidade de John Stewart, mas a dinâmica renovada dos personagens parece promissora e pode conquistar os mais jovens. Fica ainda a expectativa em torno do Superman de Grant Morrison, que promete ser outro sucesso de vendas da editora.

Se você ficou tentado a comprar Justice League #1, saiba que a cena em que Batman mostra qual é o seu “poder” vale o tempo gasto, mas não seus U$3,99.

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  • daniel

    “Se a desculpa para pouco conteúdo é um roteiro dinâmico, a editora deveria se preocupar em mostrar mais páginas aos leitores para que algum interesse fosse gerado. A impressão que fica é a de uma amostra paga que acaba saindo bem cara.”

    Sabe o que isso me lembra? Os mangá lançamentos das revistas japonesas.

    Todo lançamento que é vinculado naquelas coletâneas (como Shonen Jump por exemplo), sai com mais páginas do que o comum (se não me engano 32 paginas contra 20 convencionas).

    Coisa esa que a DC poderia realmente ter feito.. mostrar um pouco mais, mas ainda deixando aquele Q de quero mais.

  • Flávio

    E aqui no Brasil? Quando chega o reboot?

  • Hashiguti

    Pq a DC não coloca o Batman oficialmente como meta-humano logo? Oq ele fez foi muita forçação de barra. Por isso que ei digo o melhor Batman de todos, é o Demolidor, xD.

  • Alan

    Não dou 1 ano para os editores reconsiderarem e resgatarem um monte de conceitos anteriores a esse reboot, deixando 90% como estava antes. Como já fizeram após as tantas “crises”.