Sherlock Holmes – O Jogo das Sombras /// Crítica

Laercio Cunha 30 de January de 2012 0
Sherlock Holmes – O Jogo das Sombras /// Crítica

A Química Holmes – Watson continua sendo a carta na manga de Guy Ritchie. 

Em 2009 o cineasta britânico Guy Ritchie surgiu com uma proposta bem interessante ao resgatar às telas um personagem até então esquecido no “limbo” literário e em outros formatos durante décadas a fim. Além de “reviver” Sherlock Holmes, Guy Ritchie remodela Sherlock em alguns aspectos sem fugir de sua essência, imortalizada desde o século XIX pelo seu criador, o médico e escritor inglês Sir. Arthur Conan Doyle. Mesmo sendo um genuíno ianque, Robert Downey Jr. acaba incorporando Sherlock legitimamente em seu british way of life, mesclando a tradicional volúpia pela excentricidade, muito característica do ator estadunidense. A “fórmula” que obteve um grande êxito no primeiro filme volta com mais força nesta seqüência, através do tempo maior de tela que Guy Ritchie proporciona para o desenvolvimento dos “conflitos pacíficos” entre Holmes e Watson. Interpretado competentemente por Jude Law (que em certos momentos “rouba” a cena) Sr. Watson é utilizado por Guy Ritchie desde o filme anterior como uma espécie de “ponto de equilíbrio” para as tresloucadas excentricidades de Holmes, das quais acabam rendendo os tão aguardados alívios cômicos durante o desenrolar da trama, estes que se dão através dessas distinções contrastantes de personalidade entre os personagens principais. Assim como também nos inúmeros disfarces de Holmes, que estão mais do que impagáveis. E o maior trunfo de Ritchie em Sherlock Holmes – Jogo das Sombras assim como no primeiro filme se dá através da habilidade de extração do riso involuntário, sem recorrer às trivialidades do gênero, méritos totais a ótima linha textual “rápida e rasteira” proporcionada pela dupla de roteiristas Kieran e Michele Mulroney.

Sherlock Holmes – Jogo das Sombras inicia-se exatamente do ponto onde o primeiro filme terminou, e os roteiristas fecham muito bem as pontas soltas, o gancho criado por Ritchie durante o decorrer da história do filme anterior, e do qual desencadeia a série de eventos do segundo filme, estas proporcionadas pelo vilão e gênio do crime Prof. James Moriarty (Jared Harris). As “antevisões” de Holmes continuam a serem utilizadas nessa seqüência, mas que acabam um tanto que repetitivas, pois também ganham um tempo de tela maior. O que compensa esse ponto fraco são algumas cenas de ação pela grandiosidade e pela utilização da edição em slow motion muito característico nos filmes de Guy Ritchie (vide alguns de seus filmes mais clássicos como Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e também em Snatch).  Uma das cenas de ação como a do trem tem seus méritos próprios pelo alívio cômico entre Holmes e Watson citado acima, quando o primeiro “estraga” a lua-de-mel do segundo em meio a um tiroteio exacerbado. Os coadjuvantes dentro da trama também têm seu destaque, como o irmão de Holmes (Stephen Fry) e a cigana Sim (Noomi Rapace), esta que é peça fundamental para o desenrolar de eventos futuros. E mais uma vez Guy Ritchie brinca com o espectador com a possibilidade de uma sequência, são as ditas “pontas soltas” que insistem em ficarem abertas.

Comente »