Spielberg explora muito bem o recurso de captura de movimentos e a potencializa ao ápice de seu detalhismo.
As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne era um projeto certamente destinado às mãos habilidosas de Steven Spielberg. E era só questão de tempo para que a adaptação de Hergé chegasse às telas, já que Spielberg detém os direitos sobre Tintin há quase três décadas, desde o falecimento do genitor do personagem o cartunista belga. Ainda na década de 80, Spielberg cogitou a hipótese de filmar Tintin em live action, mas divergências criativas entre os estúdios o fizeram engavetar o projeto. Em 2004, Spielberg convidou Peter Jackson para “ressuscitar” a idéia de trazer o personagem a vida, porém desta vez através da tecnologia de captura de movimentos. Certamente a opção pela realização nesse formato foi muito benéfica ao contexto geral, e também no respeito aos traços da obra original. Uma abordagem em live action prejudicaria (e muito) as particularidades cartunescas de cada personagem das quais em parte são responsáveis pelo sucesso de todo um “universo” imaginado por Hergé. E ninguém melhor para lidar com personagens caricatos e potencializar ao máximo o carisma de cada um do que Spielberg. O satisfatório resultado final de As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne se dá muito também a época correta em que o filme foi realizado. Os quase dez anos que Jackson e Spielberg levaram pra trazer a vida Tintin (esse tempo mais decorrente de envolvimentos com outros projetos paralelos de cada cineasta) foi tempo suficiente para que a tecnologia de captura de movimentos desse um “salto evolutivo”. Comparando As Aventuras de Tintin a outros filmes que empregaram o mesmo recurso como O Expresso Polar ou A Lenda de Beowulf (ambos de Robert Zemeckis) nota-se uma diferença abrupta.
As linhas de expressões faciais estão mais livres e soltas. E isso é bem mais perceptível nos olhos de cada personagem, que estão mais retráteis na íris, fator do qual os torna mais suscetíveis a reações espontâneas e que os aproxima de uma “realidade mais palpável” a nossa. Mesmo sendo o primeiro filme de Spielberg todo rodado em captura de movimentos, o cineasta potencializa muito bem esses detalhes ao máximo. Não só através dos personagens, como na competente preocupação pela ambientação e principalmente na retratação de objetos. Como exemplo temos a miniatura do navio Licorne, comprada por Tintin que é estupidamente rica em detalhes, da qual não apresenta uma linha de imperfeição se quer. Se durante a projeção não duvidamos nem um pouco na habilidade de Spielberg em empregar bem a tecnologia, o mesmo pode-se notar o competente respeito ao personagem e a excelente montagem de história (que lembra em muito a trilogia Indiana Jones). Os créditos de abertura homenageiam espetacularmente os quadrinhos, e também lembram em muito a abertura da série animada, bastante exibida aqui no Brasil na década de noventa e que voltou a ser reprisada atualmente. Os atores também tem sua parcela de contribuição benéfica ao universo do repórter investigativo adaptadas no filme. Jamie Bell incorpora muito bem Tintin e seus trejeitos. Simon Pegg e Nick Frost como os gêmeos Dupond e Dupont também estão excelentes. E não menos importante, Andy Serkis em seu Capitão Haddock, do qual justifica muito bem porque é o ator mais requisitado para os projetos de captura de movimento. A única respalda negativa do filme é quanto a pouca exploração de Spielberg no formato 3D do filme, este que ficou limitada apenas a uma grande cena de ação que extrai ao máximo do que a tecnologia possibilita. As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne é um filme divertidíssimo e altamente recomendável. Aguardamos ansiosamente o segundo filme, dessa vez prometido por Peter Jackson no comando das câmeras. Se o pai do E.T. fez bonito nessa primeira adaptação, imaginem o que fará o cara que trouxe a obra-prima de Tolkien à vida.















Tintin sempre magnifico nos quadrinhos e nos desenhos já feito…fenomenal nas mãos de Steven Spilberg….
talvez um ou dois álbuns no máximo três não tenha sido assim tão exuberante….mas como destratar ou criticar algo como Tintin…ou Stiven.
é claro que não se irá agradar à todos ainda bem pois só mehoramos com críticas….