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Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge /// Crítica

26 de July de 2012 / autor: / em: Cinema 1

batmanrisesposter Batman   O Cavaleiro das Trevas Ressurge /// CríticaQuatro anos se passaram desde que subiram os créditos de Batman – O Cavaleiro das Trevas. No momento em que o Homem-Morcego subiu aquela rampa pilotando seu Batpod na última cena do filme, o cinema acabava de ganhar um clássico moderno. Mas não foram só as adaptações de quadrinhos que subiram de patamar aos olhos da crítica. Fazia algum tempo que um filme não reunia personagens tão carismáticos e bem construídos, uma história magistralmente amarrada e tensa misturada com sequências de ação espetacularmente dirigidas. É claro que a morte de Heath Ledger, e seu Oscar póstumo contribuíram para a mítica em torno do longa de Christopher Nolan, mas nada tira o brilhantismo do filme que é praticamente uma unanimidade tanto entre fãs ardorosos como com os não-iniciados na história do herói.

O problema é que, com este segundo filme da série, Batman criou um grande vilão para si. Ele não é o Coringa e muito menos Bane, visto agora em Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Este vilão não pode ser derrotado com chutes e socos, nem com o extenso arsenal de gadgets pagos com a fortuna Wayne. Ele atende pelo nome de “Monstro da Expectativa”, e esse inimigo só pode ser detido pela própria platéia. Era inevitável que comparações fossem feitas, e muitas vezes de forma injusta. O fechamento da trilogia não atinge a perfeição, mas é um espetáculo de diálogos afiados, reviravoltas no enredo e tensão crescente. Se não é mais do mesmo filme visto há 4 anos, isto só comprova que Nolan sabe exatamente para onde quer nos levar nessa jornada.

O longa mostra Bruce Wayne, novamente interpretado por Christian Bale, 8 anos após abandonar seu alter-ego, que assumiu os crimes cometidos pelo Duas-Caras no segundo filme. Batman é considerado um pária, o assassino do maior herói que Gotham já teve: Harvey Dent. Graças a isso, a cidade vive um período de relativa paz, que só será interrompido pelo surgimento de Bane, um terrorista mascarado vivido por Tom Hardy. Ele deseja completar a missão de Ra’s Al Ghul interrompida pelo Homem-Morcego em Batman Begins. No meio de tudo isso está Selina Kyle ou Mulher-Gato (embora a alcunha não seja abertamente usada em nenhum momento) que, vivida por Anne Hathaway, ganha uma roupagem totalmente diferente da marcante interpretação de Michelle Pfeiffer em Batman – O Retorno, de 1992. Para quem tinha dúvidas de que Hathaway daria conta do recado, fica uma atuação marcante e a vontade de que a personagem estivesse presente desde o início da franquia. Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Michael Cane, Morgan Freeman e Gary Oldman fecham o (invejável) elenco de apoio com a competência de sempre.

batmanrisesbane Batman   O Cavaleiro das Trevas Ressurge /// Crítica

Claro que o filme tem alguns problemas, principalmente pela quantidade de história pregressa que o roteiro exige ser, literalmente, narrada pelos personagens em longas conversas. Se em Cavaleiro das Trevas a falta da história de origem do Coringa fazia parte do personagem, aqui o passado de Bane acaba tomando tempo demais e, o que é mais crítico, se repetindo para que o plot-twist seja explicado exatamente com as mesmas cenas, como se o expectador não fosse capaz de lembrar aquilo visto há 20 minutos atrás. Mas tudo isso acaba ficando em segundo plano pela grandiosidade da história contada e pelo cuidado para com os fãs, que perceberão falas extraídas diretamente dos quadrinhos de Frank Miller e surtarão com um personagem que muitos julgavam ser inadaptável no universo criado por Nolan.

A jornada de Batman nos cinemas ganha níveis épicos, como a própria divulgação prometia, e a trilha sonora de Hanz Zimmer só faz tudo ganhar uma dimensão ainda mais dramática, atuando o tempo inteiro quase como um dos personagens em cena. Embora o senso de urgência tenha se perdido um pouco na montagem, tudo é maior e mais ameaçador. Desde a pretensão do vilão, passando por seus planos e por sua imponência física. Se o Coringa de Ledger era uma ameaça por sua imprevisibilidade, o Bane criado por Hardy é extremamente calculista e, ao mesmo tempo, selvagem e letal como se fosse uma força destruidora da natureza. Um predador selvagem que persegue seu objetivo como se nada mais existisse. Mais do que um vilão, Bane é um verdadeiro antagonista para o herói e vemos nele exatamente no que Batman poderia ter se tornado caso sua motivação ou, no caso, seu caráter fosse perverso.

O importante é que Christopher Nolan consegue algo muito difícil no cinema: manter o nível de uma trilogia e encerrá-la de forma mais do que satisfatória. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge pode não ser o final da saga que você quer, mas é o final que você precisa.

Marton Santos
Editor do Páprica. Paga no máximo 50 pratas por uma foto do Homem-Aranha cometendo algum crime. Twitter Facebook

One thought on “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge /// Crítica

  1. Matheus Amorim says:

    A única coisa de que não gostei foi o fato de Bane ser um aliado de Talia. Entendo que Nolan precisava colocar um ponto final na trama iniciada em ‘Batman Begins’, mas ainda acho que ficaria melhor se Bane não tivesse nada a ver com a Liga das Sombras. “The Dark Knight” não tinha grandes referências ao primeiro filme, e foi espetacular. Penso que se bane fosse retratado como nos quadrinhos (um cara inteligente, fortíssimo e dono do próprio nariz), ficaria mais ameaçador. Nada que tire a qualidade do filme, claro, mas a “dependência”desta ligação com o primeiro filme tirou um pouco da força de The Dark Knhight Rises.

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