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O Ditador /// Crítica

23 de August de 2012 / autor: / em: Cinema 0

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Sacha Baron Cohen gosta de trazer suas criações para o mundo real. Faz aparições públicas vestido como eles, concede entrevistas com suas personalidade e com isso quebra a barreira da tela. A interação dessas criaturas absurdas em “nosso mundo” causou algumas das passagens mais engraçadamente embaraçosas de Borat e Brüno. Muito da graça de Cohen está em ultrapassar limites, quebrar tabus e, pricipalmente, em constranger os espectadores, gerando risadas do tipo “sério que ele fimou isso”. Mas não é só isso. Os filmes anteriores com personagens criados por Cohen eram muito engraçados também pelo seu tom documental (por mais que não soubéssemos o que era ensaiado e o que era espontâneo), mas que tornava tudo mais real. Quase como um show de pegadinhas onde o ator nunca conta a verdade, deixando o participante perpetuamente preso ao horror e vergonha da situação. Esse fator chave é que não foi contemplado em O Ditador. Ao optar por uma narrativa totalmente ficcional, o diretor Larry Charles, em sua segunda colaboração com Cohen, não deixa de filmar situações constrangedoras, xingamentos e ofensas, mas tudo entre atores. Quando Aladeen joga uma lata de lixo em um táxi nas ruas de Nova York, o espectador sabe que é alguém da produção dirigindo o carro, que a confusão não ganhou corpo assim que o motorista desceu do carro para reclamar, e assim por diante. Enfim… vemos a quebra da magia do embaraço, estabelecida em Borat e seguida por Brüno. Talvez por esse motivo, O Ditador seja um filme engraçado, e só.

A trama gira em torno do General Almirante Aladeen, o líder supremo da fictícia nação de Wadiya, no norte da África. Depois de ter sido preterido para assumir o poder, seu tio e conselheiro Tamir (Ben Kingsley) resolve destituir Aladeen, colocando um sósia facilmente manipulável em seu lugar durante uma viagem aos Estados Unidos. É quando sem dinheiro e sem poder, o ditador de Wadiya tem que aprender o valor do trabalho, da tolerância e do respeito ao próximo. Mas não se engane. Apesar de possuir uma estrutura meio “coxinha”, o filme consegue arrancar boas risadas e faz piadas com temas delicados como 11 de setembro, a Primavera Árabe, estupro, feminismo, antissemistismo e a onda “verde” que assolou a América. Algumas cenas são realmente impagáveis, como quando é mostrado o mural de “troféus” que Aladdeen mantém em sua suíte, a cena do passeio de helicóptero e também os Jogos Olímpicos de Wadiya.

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Mas se o longa tem um mérito é o de conseguir, com muito bom humor,estabelecer uma discussão sobre os regimes ditatoriais e a falta de liberdade de povos que se julgam livres, mas acabam presos a amarras e convenções invisíveis, por vezes, muito severas. Claro que os mais obtusos verão aí uma apologia a governos totalitários (se já acusaram até de antissemita Cohen, que é judeu…) mas o que ocorre ali é o supra-sumo do humor: contornar a realidade para dar uma outra perspectiva a um assunto que todos julgam ponto pacífico. O que consideramos absurdo nas outras sociedades é tão extrapolado que acaba se encaixando na nossa vida e fazendo pensar se vivemos realmente em uma democracia, ou se nossos ditadores só possuem outras denominações.

No final das contas O Ditador é uma boa comédia, que faz rir e pensar, mas ainda longe do nível de genialidade que podemos esperar de seu protagonista.

Marton Santos
Editor do Páprica. Paga no máximo 50 pratas por uma foto do Homem-Aranha cometendo algum crime. Twitter Facebook

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