Caça aos Gângsteres /// Porrada neles!

cacaaosgangsterescartazChega aos cinemas nesta sexta-feira, dia primeiro de fevereiro, Caça aos Gângsteres (Gangster Squad), de Ruben Fleischer. O filme é baseado na história real de Mickey Cohen, um gângster que dominava Los Angeles no final da década de 40. Depois do excelente Zumbilândia (Zombieland, 2009), Fleischer nos traz uma história de Gângsteres, no melhor estilo noir, com muita ação e um elenco invejável.

Josh Brolin interpreta John O’mara, o durão sargento da polícia de Los Angeles que é movido por seu forte senso de justiça e, portanto, não quer ver sua cidade dominada pelo malvado Mickey Cohen (Sean Penn), um ex-boxeador que abriu seu caminho na máfia com os punhos. Agora ele está querendo expandir seu império, numa sede por poder digna de um Hitler. Em uma passagem vemos um subordinado, que está implorando por sua vida, dizer: “eu juro por Deus”. Eis que Mickey Cohen responde de forma implacável: “você está falando com Deus, então pode jurar pra mim.”

Se a descrição acima lhes parecem caricaturada, é exatamente essa a impressão que o filme deixa. Longe de ser comparável aos clássicos que marcaram o gênero, o filme está mais para uma paródia noir. É justamente a visão maniqueísta que prejudica um pouco a película e a deixa rasa, apesar de divertida. Os personagens são todos caricatos e em nenhum momento se duvida da crueldade do vilão ou da motivação do herói.

Mas o sargento O’mara não tem como enfrentar a máfia sozinho e já provocou problemas demais tentando fazê-lo. Por isso, o Chefe de Polícia Parker (Nick Nolte) o autoriza a montar uma equipe, com o intuito de cortar o mal pela raiz: liquidar todas as operações de Cohen, custe o que custar. Assim são recrutados homens com habilidades distintas, mas que têm em comum o mesmo senso de justiça que move o sargento O’mara.

Porém, mesmo sendo caricatos, e por vezes mal aproveitados, os personagens tem seu carisma. O nerd que sabe tudo de tecnologia (Giovanni Ribisi); o “super cowboy atirador” (Robert Patrick), um mexicano que entra de furão no time e, aparentemente, no filme e o expert em arremesso de facas, Coleman Harris (Anthony Mackie). O personagem de Ryan Gosling, Jerry Wooters, inicialmente se recusa a participar. Ele é o típico individualista mulherengo, que precisa ser motivado por uma cena pseudo-dramática (além de clichê, no melhor estilo Os Vingadores) para nos mostrar que tem um coração puro e amanteigado. Cada um exerce seu papel na hora da ação, que é muito competente em seus tiroteios e pancadaria.

Sean Penn no melhor estilo gângster

Sean Penn no melhor estilo gângster

Mesmo nas cenas mais fortes, protagonizadas em sua maioria pelo impetuoso Mickey Cohen, o filme é cru, violento, porém não apelativo. Não há um foco excessivo no sangue e nos corpos dilacerados, as cenas são impactantes mas sem perder o foco nos personagens. Há no filme um mal uso, ou uso desnecessário, de câmera lenta, em takes que não nos dizem nada, a não ser como os personagens são maus atiradores. Muito diferente, por exemplo, da famosa cena de Os Intocáveis (1987), onde a simultaneidade da ação é retradada em slow motion elevando a tensão da cena de forma magistral. Quem não se lembra do personagem de Andy Garcia jogando a arma para Kevin Costner enquanto se joga no chão para parar um carrinho que desce descontroladamente escada abaixo com um bebê?

Aliás, falando nisso, é fácil identificar as fontes em que Fleischer bebeu para montar seu filme de gângster. Tais como o recém citado filme de Brian De Palma, Scarface (1983) ou ainda Ajuste Final (1990), dos irmãos Coen. Porém, seu filme, mesmo com boa direção de cena, fotografia e excelentes atores, não consegue chegar nem perto daqueles que o inspiraram. Tenho minhas dúvidas se esta era a pretensão do diretor, que nos traz um filme de gângster pipoca, com metralhadoras, explosões e socos (com direito a um duelo de boxe entre o herói e o vilão).

Para contrabalancear o roteiro previsível, Fleischer se utiliza do humor. Um recurso não muito original, mas que no conjunto da obra acaba funcionando. Principalmente, porque se o filme não se leva tão a sério, as frases de efeito são absorvidas sem julgamentos.

Agora resta saber o que o roteirista Will Beall está tramando com o filme da Liga da Justiça, pois me parece que equilibrar vários personagens em uma trama não é o seu forte. Medo.

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