O Lado Bom da Vida /// A comédia romântica em estado puro

oladobomdavidacartazAssistindo O Lado Bom da Vida, do diretor David O. Russel, eu tive a impressão de ver como nascem as comédias românticas. Calma, vou me explicar. Eu quero acreditar que logo antes de cair no esquema dos “enlatados românticos”, das fórmulas prontas e dos clichês que não vão garantir o sucesso do filme, mas que também não vão condená-lo ao fracasso nas bilheterias, alguns roteiros nascem cheios de coragem e com a capacidade de contar uma história relevante, com conflitos de peso e não apenas um empilhado de situações que vão nos levar ao final “bonitinho”. Estou falando daquelas histórias que te entregam algo que você ainda não sabe que quer, ao invés de te jogar na cara algo que você ja está cansado de ver.

Coragem é o que O Lado Bom da Vida tem de sobra. O filme é capaz de brincar com diversos clichês sem se envolver demais com eles, tendo coragem de seguir seu próprio rumo, fazendo com que você acabe não se importando se ele escorregar em um ou dois inevitáveis clichês pelo caminho.

Após passar 8 meses em uma instituição psiquiátrica por causa de um incidente violento, que lhe custou emprego e casamento, Pat (Bradley Cooper) se muda para casa de seus pais (Robert De Niro e Jacki Weaver) obcecado em recuperar sua vida e seu relacionamento falido de volta. Vale dizer também que Pat sofre de transtorno bipolar e que seus filtros para situações sociais diversas não são os mesmos que os de uma pessoa normal. Quase um Sheldon, de The Big Bang Theory, só que mais explosivo.

Pat e Tiffany não são o casal perfeito

Pat e Tiffany não são o casal perfeito

A dificuldade em deixar o passado de lado, perde espaço quando Pat encontra seu “espelho”. Em um jantar na casa de amigos em comum ele conhece Tiffany (a incrível, linda e fantástica Jennifer Lawrence). Uma jovem, também problemática e com temperamento forte, que tenta superar a morte de seu marido. A falta de filtro e inabilidade social dos dois personagens é responsável pelos melhores momentos do filme. Tiffany se compromete a ajudar Pat que, por sua vez, é forçado a ajudar Tiffany com seu “Projeto”. O resultado desse projeto é lindo e reflete o caos da relação entre os dois personagens. Achei impossível não lembrar de um outro grande filme que em 2006 também concorreu ao Oscar de melhor filme. Prefiro não falar o nome para não estragar a surpresa.

A química de Bradley Cooper e Jennifer Lawrence é excelente, arrancando boas atuações dos dois, principalmente de Jennifer que ja arrecadou dois prêmios, O Globo de Ouro de melhor atriz e o SAG na mesma categoria. As indicações ao Oscar são justas, sendo essa a primeira de Cooper e a segunda de Lawrence, que ja havia chamado atenção da academia em o Inverno da Alma (2010).

O Elenco de apoio também não deixa por menos. É muito bom ver Robert De Niro sendo Robert De Niro mais uma vez, lembrando muito seu trabalho em Cassino (1995). Em alguns momentos eu cheguei a torcer para ele aparecer com um terno rosa. Jacki Weaver também está ótima. É no rosto dela que o drama da família se torna mais aparente. Até mesmo Chris Tucker surpreende, mostrando que quando não tenta ser a boca mais rápida de Hollywood (no bom sentido) ele consegue mostrar algum talento.

O Lado Bom da Vida recebeu 8 indicações ao Oscar: melhor filme, direção, ator (Bradley Cooper), atriz (Jennifer Lawrence), ator coadjuvante (Robert De Niro), atriz coadjuvante (Jacki Weaver), roteiro adaptado e montagem.

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