Pacific Rim /// Nada pode ser mais legal do que robôs gigantes

pacificrimposterNada, nada, NADA, pode ser mais legal que robôs gigantes. Acredite em mim. Se um dia você estiver andando na rua e, de repente, se deparar com um robô gigante, tenha certeza: esse será o momento mais legal de sua vida. O homem pode chegar à Marte, colonizar outras galáxias, curar todas as doenças… não interessa. Nos sentiremos realmente vivendo o futuro quando tivermos robôs gigantes andando por aí.

Claro que essa paixão que a geração pós 1970 cultiva pelos robozões é herança de nossos amigos japoneses. Se aqui no Brasil a cultura dos robôs gigantes tripulados foi absorvida facilmente pelas crianças que consumiam os seriados nipônicos, nos Estados Unidos foi necessário que uma linha de brinquedos japoneses fosse comprada pela gigante Hasbro e, depois, virasse uma animação, para que só então os Transformers ganhassem a projeção que tem hoje. Por isso não é de estranhar que, apesar de todo o apelo nerd, Pacific Rim tenha causado muito mais frisson fora dos Estados Unidos do que dentro. O americano gosta de robôs gigantes, mas prefere os alienígenas da franquia de Michael Bay às máquinas de guerra que Guillermo del Toro pegou emprestado de Evangelion, Macross e tantos outros animes. Aliás essa afinidade do diretor com os nerds brasileiros é facilmente explicada pela semelhança com que México (país natal de del Toro) e Brasil absorveram e abraçaram a cultura japonesa, principalmente durante os anos 70 e 80. Pacific Rim é uma gigantesca homenagem (com o perdão do trocadilho) a toda essa cultura que entrou no caldeirão de referências do diretor.

Na trama do filme, em um futuro não muito distante, uma brecha interdimensional se abriu no fundo do Oceano Pacífico, libertando na Terra monstros gigantes que começam a avassalar cidades inteiras. A princípio os monstros aparecem sozinhos e em intervalos de alguns meses e a força de resistência humana, que usa gigantescos robôs tripulados, consegue fazer frente a ameaça. Mas, com o tempo, os ataques vão ficando mais frequentes e os monstros mais perigosos, fazendo com que os governos do planeta comecem a pensar em outras formas de deter a ameaça, reduzindo drasticamente o orçamento do programa de defesa atual. É nesse cenário que o experiente e traumatizado piloto Raleigh Becket (Charlie Hunnam) retorna para pilotar o robô americano, apelidado de Gipsy Danger. Ele contará com a confiança do Marechal Stacker Pentecost (Idris Elba) e com a ajuda de Mako Mori (Rinko Kikuchi), uma aspirante que deseja mais do que tudo pilotar um dos robôs.

Como dá para perceber pela sinopse, o roteiro de Pacific Rim é um belo amontoado de clichês, montado para servir ao propósito de divertir sem complicar. É quase como pegar Top Gun, tirar os combates de caça (e a parte gay também) e colocar lutas entre robôs e monstros gigantes no lugar. O americano impetuoso, a japonesa dedicada, o militar durão e os cientistas amalucados transformam os personagens em estereótipos quase tão óbvios quanto os vistos nos próprios robôs e isso não é ruim. O longa se assume como sendo um grande amontoado de referências e não se perde ao tentar agregar uma camada de profundidade a personagens que, simplesmente, não são a grande atração. Dá para colocar como piloto Daniel Day-Lewis intepretando Mahatma Ghandi e o grande astro vai continuar sendo o robô gigante que usa um petroleiro como tacape. Não dá pra competir, embora tenha que admitir que seria interessante ver Mahatma Ghandi dirigindo o Gipsy Danger.

Se há algo realmente ruim em Pacific Rim é seu título nacional: Círculo de Fogo. A pedido do próprio Guillermo del Toro, o filme deveria ter seu nome adaptado, para fazer referência ao local no Oceano Pacífico de onde surgem os monstros. Infelizmente a maneira como nossa geografia chama o tal “anel de fogo” do Pacífico é bastante lamentável. Para se ter uma ideia, em Portugal o longa se chama “A Batalha do Pacífico”, o que faz bem mais sentido. Mas esse é um detalhe pequeno e insignificante diante da grandiosidade e awesomeness de Pacific Rim. Sessão obrigatória para qualquer um que tenha crescido ou vivido a cultura pop dos anos 80.

P.S: O Brasil (até por não ser banhado pelo Oceano Pacífico) não está representado no filme. Mas, você pode ficar abaixo com o Jaeger criado por mim para nosso amado país.

sambadestroyer

Gostou? Então dá pra brincar de construir seu próprio Jaeger aqui!

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  • Ricardo Koga

    Comentário Tardio, por ter tido a oportunidade de assistir apenas neste domingo 25/08.

    Gostei muito do filme e desta crítica, a única coisa para o filme ficar perfeito era ter 15 minutos a mais! Explico abaixo e com spoilers:

    Gostaria de ter visto mais do robô Russo e do robô Chinês, entendo que os Kaiju surpreenderam eles, mas gostaria de ter visto mais cenas com estes dois. Outra coisa que não entendi é que por que um filme que seria homenagem a seriados japoneses não tem um Robozão Japônes? Não sei se eu perdi alguma explicação para o fato ( talvez o Japão foi severamente atacado) mas ao menos o Gypsy tinha espadas legais =D. Ainda não entendo o motivo do americano não ter gostado tanto do filme, mesmo com o Robô Americano descendo o tacape/petroleiro nos bixo.

    Curioso que ao pensar em como fazer uma continuação de Pacific Riim, eu me lembre dos comentários favoritos do Leonardo Santos (Ouço papricast, e daí?), sobre as continuações ( horríveis ) de Transformers, outra franquia de Robô Gigante: “Se no primeiro deu certo colocar Robô, vamos colocar mais robôs na continuação!” Mas ainda que seja mais do mesmo, eu adoraria que tivesse um Pacific Rim 2.

    • http://www.paprica.org Marton Santos

      Excelente Ricardo. ACHO que o robô japonês foi “substituído” pelo Chinês, já que o mercado de cinema por lá vem dando muito lucro (imagino até que EXISTA um corte do filme feito pro mercado chinês com mais cenas do robô deles). Deixaram a homenagem para o Japão com a piloto mesmo.
      Quanto a sequência, já que fecharam o portal no Pacífico eles podiam criar uma nova ameaça, tipo o Péricles do Exaltasamba depois de comer uma feijoada requentada na cobertura da Regina Casé…

      • Ricardo Koga

        Putz, melhor que isso só (melhor no sentido de ver todo mundo morrendo) um filme de zumbi brasileiro (Tony Ramos zumbi, Zumbi pegador José Mayer, tantas possibilidades kkk). Mas voltando ao Pacific Rim, acho que tem espaço para uma continuação, pois não acho que os alienígenas deste filme irão desistir tão fácil. E se eles abrirem outro portal para cá, eles vão vim sangue nos olhos, querendo destruir, pois perceberão que a humanidade tem capacidade de se adaptar e evoluir, então não seria apenas para colonizar a terra e sim para acabar com uma concorrência futura. Então enviariam mais Kaijus, então teríamos mais Robôs Gigantes!

        Só um comentário que eu esqueci (aliás eu sou um quase meio velho-louco kkk fiz 23 anos estes dias), o por quê de vocês não terem comentado este filme no papricast 52 sobre monstros! Ao menos a opinião do cast sobre este filme. Pois achei sensacional a estética dos Kaijus.

  • cypher

    Eu ví um trailer do filme e foi suficiente pra querer ir ver o filme e não ver nenhum outro trailer… Acho uma pena o fracasso nas bilheterias americanas, e espero que o filme consiga se pagar algumas vezes pra podermos ver um Pacific Rim II… Não só achei muito melhor do que os cortes insanos e desordenados do Michael Bay de Transformers, como a ‘construção’ em si dos robos é muito mais legal! E um pequeno detalhe, ao sair da sessão não era raro ver aqui e alí alguem cantarolando o tema do filme!

  • Rafael Siza

    Como sempre, excelente artigo. Parabéns!

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  • http://gravatar.com/splitthead Eduardo

    A primeira vez que eu ouvi falar do Pacific Rim foi graças ao Papricast! Muito ansioso para assistir o filme que estreia amanha! =)
    Não sou dos anos 80 mas sim dos 90, Jaspion até hoje continua sendo o melhor herói de “tokusatsu”,na minha opinião.
    Não ficava esperando levar porrada até ficar a beira da morte, já chamava o Daileon e saia quebrando o pau por que o Jaspion realmente manjava dos paranuê.

    Valeu Páprica por me apresentar Pacific Rim e belo texto!

    AVANTE GIGANTE GUERREIRO “SAMBA DESTROYER!”

  • http://gravatar.com/splitthead Eduardo

    Marton não quero ser chato nem nada mas “consumiam os seriados nioônicos, nos Estados ”
    não aceita esse comentário. rs

    • http://www.paprica.org Marton Santos

      valeu Eduardo! Corrigido :)