Revolução Televisiva /// Relembre 5 séries que mudaram a cara da programação de sua TV

19 de August de 2013 / autor: / em: Séries 20

Atualmente temos várias séries com qualidade cinematográfica na programação da TV. The Walking Dead, Breaking Bad, Game of Thrones e tantas outras seriam um conteúdo impensável de ser produzido diretamente para a TV até o final dos anos 90. Quem foram os responsáveis então por essa revolução que fez grandes atores do cinema migrarem para a tela pequena em busca de qualidade de roteiro, produção e maior visibilidade? Vamos ver se dá pra entender esse movimento relembrando apenas 5 grandes séries.

OZ – 1997

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Mostrando o cotidiano de uma penitenciária americana, Oz foi a primeira produção original da HBO, lançada na metade de 1997. O conteúdo de extrema violência só se tornou viável graças ao sistema de assinaturas do canal, que dispensa o dinheiro dos anunciantes. Financiar suas próprias produções foi a maneira encontrada pela HBO de apresentar um conteúdo diferenciado, adulto e de qualidade para seus assinantes.

Se Oz não foi um grande fenômeno cultural como outras séries que vieram depois, ela foi a responsável por abrir as portas e mostrar que existia um público sedento por um conteúdo um pouco mais refinado e que não seguisse, necessariamente, os padrões impostos na TV aberta.

Família Soprano – 1999

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Dois anos depois de mostrar o caminho com Oz, a HBO lança Família Soprano e consolida sua posição como “madrinha” desse movimento de qualificação da TV. Na série acompanhamos Tony Soprano, um mafioso de Nova Jersey que começa a sofrer com ataques de pânico e procura ajuda de uma psiquiatra. Ao longo das temporadas as tramas e meandros do mundo da máfia vão ganhando destaque, a medida que nos aprofundamos na vida dos personagens.

A série foi um grande sucesso, rendeu mais de 100 indicações ao prêmio Emmy e alertou de vez o mercado que a TV poderia ser o futuro do entretenimento adulto.

24 Horas – 2001

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Você pode até não ser fã da correria diária de Jack Bauer, mas a série produzida pela FOX em 2001 (e que vai voltar em 2014) mostrou ao mundo que uma boa série de ação e espionagem pode ser produzida para a TV. Com cara de superprodução, 24 Horas inovou no formato, aos mostrar os eventos em “tempo real” e também ao trazer um grande nome do cinema para uma produção televisiva. Kiefer Sutherland estava fora dos holofotes mas foi o primeiro a aderir a debandada de atores menos rentáveis no cinema para a tela pequena. Se hoje é comum vermos nomes como Kevin Spacey, Laurence Fishburne e Kevin Costner atuando na TV, até o estouro de 24 Horas essa migração era sinal de fracasso na carreira cinematográfica.

Jack Bauer, mais do que salvar o mundo, mostrou que é possível para um ator fazer grande sucesso na televisão.

Lost – 2004

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Esqueça o final de Lost (e se ainda não viu, deixe pra lá). Apesar das trapalhadas dos roteiristas e produtores, a série exibida pela ABC pode ter sido o primeiro grande fenômeno cultural transmídia a ter surgido nas telinhas. Exatamente na época da popularização da banda larga e dos torrents, a série tomou conta de fóruns, ganhou podcasts, blogs e muitas, mas muitas teorias a respeito de seus mistérios, o que só serviu para alavancar a popularidade do programa de TV.

Se por um lado Lost sofreu com todas as limitações e restrições de uma série pensada para a TV aberta, por outro o barulho criado por sua trama virou o pote de ouro perseguido por 10 entre 10 produtores.

House of Cards – 2013

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É impossível falar de revolução na TV sem citar House of Cards e a Netflix. E a razão é bem simples: a série produzida pelo serviço de streaming americano revolucionou o mercado no que se refere a distribuição e na forma como consumimos esse conteúdo. Assim como a HBO, Showtime e AMC, a Netflix passou a financiar produções próprias com a verba de suas assinaturas. A grande diferença é que o serviço digital não driblou com isso apenas as restrições de possíveis patrocinadores, mas também a grade de programação e a concorrência com outras séries transmitidas no mesmo horário. O assinante assiste quantos episódios quiser na sequência e na hora em que bem entender. House of Cards teve sua primeira temporada completa, com 13 episódios, disponibilizada na íntegra.

Ah… além disso a série é ótima e tem Kevin Spacey no papel principal, o que dispensa comentários.
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E você? Concorda com essa lista ou acha que tem alguma outra série que também ajudou a revolucionar a maneira como consumimos televisão?

Marton Santos
Editor do Páprica. Paga no máximo 50 pratas por uma foto do Homem-Aranha cometendo algum crime. Twitter Facebook

20 thoughts on “Revolução Televisiva /// Relembre 5 séries que mudaram a cara da programação de sua TV

  1. Tiago De Mattos says:

    Tirou o reply…. Quer ter a ultima palavra, né….? hehehehehe

    Tudo bem, sem problemas, é que eu tava curtindo a discussão, mas ok…

    Mas como eu disse, sou fã, curto os podcasts (tô ouvindo o do cdz agora), mas gostos a parte, ainda acho que, “bloguisticamente”, o comentário foi desnecessário..

    Fora isso, parabens pelo blog de vocêS e até mais!!!

    1. Que é isso Thiago… o comentários tem moderação, então as vezes demora um pouquinho pra aprovar. Mas não sendo agressão gratuita nunca será censurado :)

    2. aliás não sei pq o reply não aparece lá, deve ser alguma limitação do tema que usamos…
      mas responde num comment novo e bora lá :)

  2. Tiago De Mattos says:

    Quer dizer então que é OK gostar ou não de 24 hrs, que é questão de gosto, mas não é possível, gostar do final (6º temporada) de lost, que é melhor “deixar pra lá”… ridiculo e dispensável… Um bom post que poderia ter sido excelente se não fosse o comentário infeliz.

    Pois pra quem que ler, veja lost, do começo ao FIM!!! Se importe com os personagens, lhe garanto que ficará extremamente satisfeito… e terá os principais mistérios respondidos!!!

    OBS: Não sou fanboy, veja e odeie, sem problemas, é seu direito, mas dizer pra outras pessoas que não veja por que VOCÊ não gostou é muito feio…

    1. Quer respostas? Olhe para minha mão direita, a resposta está lá. Olhou? Brincadeira… olhe para a mão esquerda, a resposta está lá. Repita esse procedimento por 6 temporadas e depois diga que a série não era sobre as respostas e sim sobre as mãos. Lost.

      1. Tiago De Mattos says:

        Você acabou de dizer o SEU problema com Lost e talvez não tenha percebido… “Quer resposta?”…
        Te respondo rápido: Não faço questão, quero uma estoria bem contada, com personagens cativantes e com seus arcos dramáticos bem feitos e com soluções/conclusões bem colocadas e Lost tem tudo isso e em alto nível…

        Você parece aquele tipo de espectador que vê Game of Thrones por causa das criaturas fantásticas.. Ou que vê The Walking Dead pra vê zumbi… Ou que não sabe como o batman voltou pra Gotham no 3º filme… kkkkk

        E usando sua analogia (respostas e mãos), outro problema seu é que você não viu as tais respostas nas tais mãos, eu vi… O que pode ter acontecido é que você não tenha gostado delas (as respostas)… aí tudo bem, mas dizer que os produtores enganaram todo mundo é demais…

        Até hoje não li ou ouvi ninguém dizer/escrever quais os tais mistérios IMPORTANTES PARA O DESENVOLVIMENTO E CONCLUSÃO DA ESTÓRIA não respondidos, até acho que teve alguns, mas os irrelevantes, aqueles que talvez nem mistério fossem…

        Algumas respostas eu gostei, outras adorei, outras, até, não curti, mas faz parte. Não fazia questão de todas as respostas e nem todas eram relevantes mesmo…

        Agora, cuidado… G.R.R. Martin pode resolver matar todos os “monstros” no sexto livro e aí tu se mata… =P

        1. Cara, você realmente achou “bem construída” uma série que acaba com um “estavam todos mortos”? Sério mesmo?
          Esse é um recurso de roteiro que uma criança da terceira série teria vergonha de colocar em uma redação escolar. Os roteiristas transformaram uma série de ficção, cheia de mistérios e enigmas em um emaranhado de relações entre personagens bidimensionais, fazendo com que se criasse a máxima “não é sobre mistérios, é sobre os personagens”. Lamento. Não. Não é.

          Lost sofreu de um problema bem básico. As pessoas responsáveis pela criação dos mistérios ABANDONARAM a série. Alguns durante a greve de roteiristas da terceira temporada, outros um pouco depois. Quem assumiu a história simplesmente não sabia o que fazer com todas as pontas soltas deixadas pelos antigos roteiristas. Não resolver vários mistérios foi uma covardia e uma falta de respeito com os espectadores, já que a série só foi grande como foi graças aos mistérios. Você não convida seus amigos pra tomar cerveja na sua casa, faz eles esperarem horas e aparece com uma coca-cola 2 litros dizendo “as pessoas aqui são interessantes demais, então não precisamos de cerveja”. Não, ninguém em sã consciência faria isso…

          Mas se você ficou satisfeito com um final onde um dos principais personagens resolve abdicar da vida pra ficar sendo guardião de merda nenhuma, onde a fonte dos mistérios era uma caverna brilhosa e onde a alma dos personagens se encontra em uma igreja pra irem pro céu (puta que pariu, tô ficando com raiva de Lost de novo só de lembrar) então amigo… bom pra você. Eu queria o final de Lost, e ganhei o series finale de Brothers & Sisters. Faltou a Sally Field chorando e abraçando as pessoas.

  3. mig7 says:

    Achei excelente mas senti falta da serie que na minha opinião foi o carro chefe das series da HBO, Carnivale que mesmo sendo cancelada por não ter o apelo da mídia da época ( beleza física) a serie se tornou cult , e cultuada até hj!

  4. Garanhão italiano says:

    Lost foi o melhor seriado e ainda é. Game of Thrones é a segunda melhor. Prision Break e Spartacus foram boas mas um nível abaixo.

  5. Musaranho says:

    Tem gente nos comentários achando que série que faz sucesso é a mesma coisa que série revolucionária.

  6. Felipe says:

    Friends? Simpsons?
    Nao sei se mudarao, mas pelo menos muita gente as viu.

  7. Juan says:

    Eu adorei o final de Lost, um dos melhores finais de séries em todos os tempos. Mas claro, cada um tem sua opinião. Gostei sim da lista.

  8. Marlon, ótimo texto e argumentação!
    A HBO foi essencial na transição da televisão como referência de produções de entretenimento de alta qualidade no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, não só pelo conteúdo, mas também pela abordagem estratégica da emissora ao investir em: 1) séries originais, ainda nos anos 80 e principalmente 90, quando nenhuma rede fechada fazia isso; 2) em temáticas mais ousadas para a TV, como você bem mencionou; 3) na exibição de diversas reprises de episódios e de temporadas ao longo da grade de programação, prática que não era comum na época e que permitia que espectadores ‘novatos’ pudessem se atualizar com as produções e que os espectadores regulares não ficassem restritos a apenas um ou dois horários de exibição; 4) no investimento em tecnologia de distribuição on demand e pela internet, lá no início dos anos 2000, também quando nenhuma outra emissora, aberta ou fechada, tinha adotado a prática – abrindo caminho para serviços como o Netflix.
    Claro, a emissora não é perfeita (basta lembrar que ela dispensou o projeto de Mad Men, que Matthew Weiner levou para a AMC), mas não há como discutir que ela teve papel central na revolução televisiva que temos acompanhado nos últimos anos!
    E acho muito interessante ver como, hoje, o Netflix está assumindo essa posição central em inovações no formato, com as produções originais House of Cards e Orange is the New Black (também muito boa) e com o ‘resgate’ de Arrested Development. É legal acompanhar esses momentos em que alguém eleva o padrão, porque abre espaço pra ousadia e pra ainda mais qualidade.
    Ah, e sobre Lost, eu amei o lado espiritual e da Jornada do Herói da série, então fiquei muito satisfeita com o final e com a experiência toda, que foi inigualável – quem assiste à série hoje não sabe como era absurdamente divertido especular e discutir teorias entre os episódios e temporadas. Fora isso, em termos de expansão narrativa, investimento transmídia e mobilização e engajamento do público, a série um definitivamente um marco da televisão, e não só norte-americana, porque também foi um programa de TV que mudou parâmetros e ajudou a estabelecer de vez a popularidade do formato aqui no Brasil, por exemplo.
    Enfim, ótima lista! Muito legal abordar as séries desse ponto de vista!

  9. lucas says:

    falto dr house

  10. João Carlos says:

    isso mesmo ;D

  11. Hugo says:

    Muito bom post, excelente.

  12. Luís says:

    Faltou X-Files.
    Será que só eu gostei do final de Lost? shuhaushuausa

  13. WILDS says:

    OZ eu acompanhei todas as temporadas!! Simplesmente fantástica!! Com a narração de Augustus, personagens como Adebisi, O’reyle, Scheringer, Bitcher e outros sem tornou memorável!

  14. Gustavo says:

    Concordo com a lista, porém faltam as séries que introduziram o conceito de continuidade nas séries americanas. A primeira que vem na minha cabeça é Jornada Nas Estrelas – a nova geração. Antes, todas as séries eram completamente fechadas e com episódios independentes, Em Jornada, os episódios continuam independentes mas com um arco narrativo entrecortando esses episódios que geralmente duravam uma temporada inteira, como se fosse uma grande história. Arquivo X veio para sedimentar esse novo modo de fazer séries.

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