Kick-Ass 2 /// Super-heróis reais de mentirinha

kick-assposterManter um filme pop como Kick-Ass (2010), com censura 18 anos, foi mais do que um ato de coragem, foi praticamente uma declaração de amor e comprometimento aos quadrinhos, uma vez que a violência gráfica e a linguagem ácida que impressinou boa parte dos espctadores no primeiro filme fazem parte da essência da história. Seria impossível contar como Dave Lizewski (Aaron Taylor-Johnson) se tornou Kick-Ass se o plano fosse fazer um clássico “Sessão da Tarde”, acessível para todas as idades e consequentemente mais lucrativo. O bom trabalho realizado pelo diretor Matthew Vaughn na adaptação do primeiro arco da história deixou a vida de Jeff Wadlow, diretor de Kick-Ass 2, muito mais fácil, uma vez que ele opta corretamente por seguir os mesmos passos do primeiro filme. Isso pode até incomodar quem esparava grandes novidades, mas sou obrigado a confessar que funciona bem para essa sequência.

O filme começa com Dave e Mindy Macready (Chloë Grace Moretz) tentando deixar os dias de Kick-Ass e Hit-Girl no passado. Se Dave entendeu que grandes poderes (seus seguidores no My Space e views no YouTube) trazem grandes dores de cabeça, Hit-Girl, após a morte de seu pai, foi adotada pelo detetive Marcus Willians que tenta a todo custo fazer com que Mindy tenha a vida normal de uma garota de 15 anos, tarefa essa que o filme mostra como algo extremamente difícil se você não faz parte da “Geração Belieber” ou se não é uma seguidora das boybands atuais. A aposentadoria dura pouco e logo Kick-Ass se vê ao lado de outros mascarados que, inspirados nele, batalham para tornar o mundo um lugar melhor. Isso pode acontecer servindo sopa em um abrigo, defendendo uma causa ou até mesmo esmagando a cara de criminosos com bastões. Um desses mascarados é o Coronel Stars and Stripes (Jim Carrey), um ex-gângster que após “encontrar” Jesus decide trocar de lado e se tornar um dos “Good Guys”. A experiência de vida do Coronel faz com que ele assuma a posição de um líder para Kick-Ass e seus amigos. Vale dizer que o papel caiu como uma luva para Jim Carrey.

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Do outro lado da moeda, nós temos o divertido MOTHERFUCKER (Christopher Mintz-Plasse), que é um dos melhores nomes de supervilão da história, tendo a dose certa de exagero para mostrar o que se passa na cabeça de um adolecente inconsequente que deseja se tornar um vilão memorável. Com a força de um hamster e um cérebro de nerd mimado, MOTHERFUCKER decide apostar em seu superpoder (a fortuna da família) para montar sua própria liga de vilões com direito a jogos e prostitutas.

Assim como no primeiro filme, o elenco funciona muito bem. Chloë Grace Moretz e sua carreira cresceram bastante desde o primeiro Kick-Ass. A Atriz está ainda mais a vontade no papel de Hit-Girl. O Elenco de apoio também chama atenção, com destaque para Christopher Mintz-Plasse que acumula mais um papel carismático para guardar com carinho ao lado de McLovin.

Os exageros e o nível de violência do filme, que fezeram Jim Carrey supostamente se arrepender de ter participado do projeto, não são gratuitos. Os exageros, as cores chamativas e os nomes extremamente galhofas representam as expectativas e a boa intenção de vestir uma fantasia e combater o crime, enquanto por outro lado, a violência e o sangue derramado mostram as consequências desse ato. Na “vida real” não são apenas os bandidos que se machucam. Mesmo mergulhado em um mar de galhofas, Kick Ass 2 consegue se posicionar como um dos filmes mais honestos de heróis ja produzidos. O longa deixa claro para o espectador, ja tão acostumado em buscar elementos reais e explicações racionais nas adaptações de seus quadrinhos preferidos, que o importante mesmo, nesse universo, é comer sua pipoca e se divertir.

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  • Edivaldo

    Me diverti com o filme! Sem dúvida o vilão Motherfucker rouba a cena. Hit Girl é fodona demais e o guri.. o Kick Ass é, provavelmente o novo Paul qquer coisa! Jim Carrey, para mim não comprometeu, mas tb ficou longe de se destacar (nota-se ele bem preso e só em um pequeno momento ele se solta e vc vê a face do Jim Carrey). Enfim é um filme legal e ponto final! Estranhamente, para mim, a violência não chegou perto de chocar, mas o q me causou desconforto, foi notar q a Hit Girl está em vias de se tornar uma Hit Woman, com destaque para a cena em q ela, acompanhada de outras garotas da escola, assiste o video clipe da boy band, culminando com o comentário “chocante” de uma das garotas ao fim do clipe. Dinheiro, o melhor super poder de todos, não é mesmo Motherfucker!?

  • Douglas Silveira

    E aí está, Leonardo conseguiu inserir no texto sua citação favorita: “(…)com jogos e prostitutas”. huauhahuauhahuauhuha
    Parabéns pelo texto.
    Ansioso para ver o filme logo.

  • http://twitter.com/diegomariolo Diego Mariolo (@diegomariolo)

    Achei o primeiro filme muito foda. Estou ansioso para ver a continuação. Grande artigo Léo.