O Conselheiro do Crime /// Pretenciosamente Complicado

counselorposterRidley Scott tem crédito em Hollywood. Ele é responsável por diversas obras imortais no cinema: Alien, o 8º passageiro (1979), Blade Runner – O caçador de Andróides (1982), Gladiador (2000), entre outros. Lembrar disso faz com que eu me pergunte: o que diabos aconteceu com Ridley Scott?

Acho excelente quando um trailer consegue te instigar, te deixar curioso e querendo saber mais sobre a história. Esse foi o caso de O Conselheiro do Crime, filme que estréia nessa sexta feira, 25/10, e que parecia ser um dos melhores filmes de 2013. O problema é quando o filme te deixa com o mesmo número de perguntas que o trailer. Nem mesmo o elenco pesadíssimo que estampa o cartaz é capaz de salvar o roteiro confuso e pretensioso. Michael Fassbender, Penélope Cruz, Cameron Diaz (que supreende muito), Javier Barden e Brad Pitt servem como uma promessa furada de que esse filme simplesmente não tem como ser ruim.

O Filme conta a história de um advogado ganancioso que se envolve com o cartel de drogas do México. A possibilidade de fazer mais dinheiro faz com que o Advogado (Michael Fassbender), que não tem o nome citado durante o filme, ignore os conselhos e os riscos que ele e sua namorada, Laura (Penélope Cruz) passam a correr. É fácil para o espectador se identificar com o personagem de Fassbender, uma vez que ele parece perdido na história, tentando juntar as peças para pelo menos saber detalhes da operação na qual está envolvido. Troque a operação criminosa por um filme confuso e você estará no lugar dele.

counselormiolo

Um de seus contatos e de certa forma seu guia pelo submundo do crime é Reiner (Javier Barden), um excêntrico traficante que se esforça demais para parecer cool. Barden aqui consegue ter um cabelo quase tão ridículo quanto em Onde os Fracos Não Tem Vez (2011). Um de seus “objetos” de adorno é a misteriosa Malkina (Cameron Diaz, que parece ter aceitado bem a idade). Com uma cara de velha tarada e uma atuação impecável, ela deixa bem claro que, ao contrário das expectativas de Reiner, ela não está ali para ser domada. É interessante ver o contraste entre Laura e Malkina. Enquanto a primeira é ingênua o suficiente para acreditar que estará protegida por saber o menos possível dos negócios do namorado, ou de quanto custa para manter seu estilo de vida, Malkina mostra que a melhor forma de se proteger é sabendo cada detalhe e suas possíveis consequências.

É impossível não lembrar de Breaking Bad durante o filme. As locações e até mesmo o plot são familiares aos fãs da série, com direito a uma surpresa agradável capaz de deixar saudades. O filme ainda desafia a série mostrando uma maneira mais eficiente para o transporte de drogas. Afinal de contas, melhor que um esconderijo é um repelente.

Um dos méritos do longa é a fotografia. Os planos que são feitos nas sombras, em ambientes frios e praticamente corporativos são executados em campo aberto, contrastando com uma fotografia quente, suja e desconfortável. Em um dos poucos bons momentos do filme, o vendedor de diamantes que conversa com o Advogado define seu mercado como um negócio cínico, pois ao avaliar um diamante você não busca méritos, você procura falhas. Essa mesma filosofia vale, de forma velada, para o mundo no qual o Advogado se encontra mais envolvido do que imagina. Em meio a abraços falsos e festas caras, apenas aqueles que focam em falhas, na tentativa de minimizar os riscos, sobrevivem.

Compartilhe
Comente
  • Vilmar

    Marton,

    Não quero bancar o prof. Pasquale, mas o correto é “Pretensiosamente”.

    Gostei muito do post e acompanho sempre os papricasts!

    Abraço,

    Vilmar.