Um time Show de Bola /// Bonito, mas ordinário!

cartaz_umtimeshowUm Time Show de Bola, animação Argentina/Espanhola que chega aos cinemas nessa sexta feira (29/11), conta a história de Amadeo, um garoto aficcionado por pebolim que um belo dia é desafiado por Ezequiel, um moleque arrogante que se acha melhor que Amadeo por ser bom em um esporte de verdade. Ezequiel perde e de alguma forma, ele transforma a frustração daquela derrota em motivação para, anos depois, se tornar uma espécie de Cristiano Ronaldo do inferno. Para se vingar, o agora craque do futebol mundial compra a pequena cidade onde tudo aconteceu com planos de destruí-la (ou melhorá-la, depende do ponto de vista). Sobra para Amadeo, em um desafio que não faz sentido algum, tentar salvar sua cidade natal. Para isso ele contará com a ajuda de seus bonecos de pebolim, que graças a um evento mágico (lágrimas..o garoto chora em cima de um dos bonecos…bem original), ganham vida.

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O filme esbanja qualidade técnica, fazendo bonito frente ao mercado mainstream de animações dominado pela Pixar e pela Dreamworks. O 3D funciona muito bem dando vida aos cenários. Os cuidados com os detalhes na arte do longa também enchem os olhos, como por exemplo, a pintura gasta dos bonequinhos de Amadeo.

Antes de começar a falar mal, eu tenho que dizer que os primeiros 10 minutos de filme estavam me deixando orgulhoso. A animação criada, em parte, por nossos hermanos argentinos estava parecendo promissora. Mas foi mais ou menos por ai que eu consegui dar a minha ultima risada nos 106 minutos do longa.

Embora tenha a qualidade técnica digna de um filme da Dreamworks, Um Time Show de Bola tem o roteiro de um desenho do Ben 10. As motivações que alavancam a história são estúpidas, como por exemplo os motivos da revolta de Ezequiel. O vilão do filme e sua “gangue” não possuem personalidade alguma, o que deixa os personagens absurdamente chatos. Essa falta de personalidade se estende para os demais personagens. A evolução de Amadeo no decorrer da história é zero. Anos depois do “grande” desafio com Ezequiel ele continua trabalhando como garçom no mesmo bar para poder ficar perto de sua amada mesa de pebolim. Tudo isso torna muito complicado você criar empatia pelo protagonista da história.

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Os personagens mais carismáticos, que poderiam ter somado alguma coisa à história ficam no “banco” até os “40 minutos do segundo tempo” (trocadilho barato..eu sei), aparecendo apenas nos minutos finais do longa. Ainda assim, eles são jogados no filme em uma das piores partidas de futebol que eu já vi nas telas do cinema, digna de um filme família qualquer de Sessão da Tarde onde um cachorro muito especial é o craque do time. Sendo uma produção conjunta entre dois países que “respiram” futebol, não tem desculpa para isso ter acontecido.

Os bonecos de pebolim, que são o grande chamariz do filme, não conseguem salvar a história. A interação entre Amadeo e os bonecos, e até mesmo entre os próprios bonecos, é muito fraca, chegando ao ponto de dar raiva da maneira como o time “vencedor” da mesa age em relação ao time que normalmente perde. Pode até ser que o plano aqui fosse chamar atenção para a rivalidade no futebol, mas acaba se tornando excessiva e irritante, tal como pode ser na vida real.

Com um roteiro que fará você lembrar de alguns filmes da Xuxa, Um Time show de bola passa a mensagem que se você não fizer nada com a sua vida (leia-se jogar pebolim o dia todo, ou quem sabe até mesmo video game) em algum momento, algo mágico poderá acontecer para te motivar a se tornar o herói da sua cidade.

Não sendo essa a melhor opção de programa família para o final de semana, que tal dessa vez levar o seu filho/sobrinho/afilhado para um parque? Se a criança estiver com muita vontade de ver um desenho, alugue o Rei Leão para ela. Pode ser até que crianças com menos de 8 anos gostem bastante do filme, mas vamos combinar que você não precisa passar por isso.

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