Carrie, A Estranha /// Banho de sangue na pessoa errada.

cartazO filme Carrie, A Estranha de 1976, dirigido por Brian de Palma, conta a história de Carrie (Sissy Spacek), uma garota estranha, que sofria bulling no colégio e que era criada por uma mãe fanática religiosa. Um dos maiores méritos do filme é fazer você acreditar que está acompanhando o drama de uma garota que deseja apenas ser normal e aceita. Claro, ela possui poderes telecinéticos, o que lhe permite fazer o inferno com sua mente, mas isso é introduzido na história de maneira tão sutil, que não nos atrapalha de acompanhar esse outro lado do filme. Até o momento em que temos um verdadeiro banho de sangue.

O remake de Carrie, A Estranha, dirigido por Kimberly Peirce, que estreia nessa sexta feira (06/12), cumpre bem o seu papel de apresentar uma das melhores histórias de Stephen King para essa geração e está longe de ser um filme ruim, mas também não consegue chegar aos pés do original. Peirce não soube aproveitar a brecha deixada por Brain de Palma ao adaptar o livro e comete o erro de simplesmente repetir o filme lançado nos anos 70. O livro Carrie de Stephen King, publicado em 1974 brinca de mockumentary e nos conta a história de Carrie através de documentos ficcionais e trechos de livros. Por uma limitação de recursos (que não era o caso do filme atual) Brian de Palma foi forçado a deixar de fora uma série de elementos da história que poderiam ter sido usado por Peirce para tornar o seu filme não apenas um remake do original, mas também uma excelente releitura do clássico de King.

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Ambientado nos dias de hoje, o filme conta a mesma história de uma garota tímida e excluída que sofre bulling no colégio e castigos rígidos da mãe maluca em casa. Os poderes de Carrie não são introduzidos de maneira tão sutil como no filme original. Chloe Grace Moretz, embora não consiga entregar a sua melhor performance aqui, está bem no papel de Carrie. Mesmo com uma atuação um pouco exagerada enquanto usa seus poderes, ela consegue equilibrar o filme fazendo com que você se apegue a protagonista e, assim como no original, torça para que ela consiga ser feliz, mesmo que seja apenas por uma noite.

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Julianne Moore está monstruosamente bem no papel de Margaret White, mãe de Carrie. Com uma fé cega e a crença de que todos são pecadores, ela não limita seus castigos a sua filha. A autoflagelação é constante e está presente em cicatrizes pelas pernas e braços.

Se no filme original, o elenco estava para adolescentes assim como Roberto Bolaños estava para o garoto Chaves, no remake, o diretor acertou na escalação de seus atores. Todos realmente convencem como, ou de fato são, colegiais, incluindo Chloe Grace Moretz que tinha apenas 15 anos enquanto filmava o longa.

O filme consegue transportar a história para os dias de hoje com competência. Seja utilizando elementos da cultura pop atual ou até mesmo com a ultima tendência em matéria de bullying: o cyberbullying. O remake também consegue levantar questões como: até quando uma pessoa boa aguenta ser abusada antes de “breaking bad” total e usar o poder da mente para destroçar seus abusadores. Mas na verdade, o que realmente faltou para Carrie (eu fiquei na expectativa que isso fosse acontecer) foi o professor Xavier aparecer e recrutá-la para os X-Men. Talvez isso tivesse salvado algumas vidas.

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  • Douglas Silveira

    Só o Leo poderia fazer esta crítica.
    Ninguém tem o background de filmes de terror tão extenso quanto ele.
    Com quantos anos de idade você viu o Carrie original? Seis????

  • Pingback: iG Colunistas – O Buteco da Net - » Prato do Dia: Misto quente com suco de laranja sem açúcar()

  • Rakka

    Lendo a critica com a maior seriedade,e aí veio a parte do Professor Xavier…uahauhauhaua A mania de refilmarem filmes que deram certo raramente funciona,eplo jeito esse filme foi mais um da lista.=)