Fazer humor – Parte 1

duquian 1 de September de 2010 12

Tenho acompanhado o Globo Esporte com um pouco mais de atenção desde quando Tiago Leifert assumiu em boa parte a apresentação do programa. Com suas piadas muitas vezes idiotas e brincadeiras um tanto infantis, ele conseguiu trazer humor à um programa de esportes. Por outro lado, programas como ‘A turma do Didi’, ‘Casseta e Planeta’ e ‘Zorra Total’ têm cada vez mais perdendo espaço, em boa parte pelo fato de usarem um estilo antigo de fazer humor.

É triste ver a emissora que criou ‘Os Trapalhões’ ter como melhor programa de humor um programa de Esportes. Afinal, existe receita mágica para se fazer humor?

Crônicas ‘Temporárias’

Eu me lembro da época do ‘Sai de Baixo’, todo domingo depois do Fantástico. Como tinha que levantar cedo pra ir à escola no dia seguinte, muitas vezes não pude assistir, porém cada vez que eu assistia era risada na certa. Este programa seguia o estilo de ‘sitcom’ (situation comedy) que são shows que utilizam de eventos e situações do cotidiano para fazer humor, numa espécie de ‘crônica encenada’. Hoje, os famosos stand-ups utilizam o mesmo estilo, criticando e satirizando aspectos da sociedade, contando a verdade de maneira divertida. É possível fazer um show de stand-up que dê as mesmas notícias que o Jornal Nacional mas com uma diferença importante: o humor.

Em sitcoms não é necessário criar pessoas extremamente burras, super heróis, pessoas vestidas de bebê, entre outros para se fazer humor, muito menos ficar contando piadinhas. A piada está em QUALQUER lugar, basta conseguir enxergar. É assim que os stand-ups funcionam, é assim que o Thiago Leifert funciona e é assim que programas como Sai de Baixo, A Diarista, A Grande Família, Toma-lá-da-cá, The Big Bang Theory, Modern Family, Os Normais e tantos outros fizeram ou fazem sucesso.

Crônicas e satirizações dificilmente saem de moda, mas envelhecem. Por exemplo, se você assistir à um episódio do Casseta e Planeta aonde eles satirizam uma novela que você não se lembra mais, ou alguma decisão política antiga, você provavelmente não achará engraçado. Ao mesmo tempo que se você separar boa parte dos comentários de Thiago Leifert do contexto da matéria, ele não só perderá o sentido como também a graça. Fazer humor sobre eventos ‘noticiáveis’ como a final de um BBB, uma eleição, uma novela, uma decisão política tem sérias limitações. Em primeiro lugar o público-alvo deve conhecer o tema ‘real’ que está sendo satirizado. Se você falar ‘Ronaldo!‘ pra alguém que não assiste ao Pânico na TV, provavelmente não irá causar efeito algum. A segunda limitação é que esse tipo de humor tem um ‘prazo de validade’, ele não dura pra sempre. A sátira sobre eventos atuais duram tanto quanto o evento que está sendo satirizado, no máximo um pouco mais. Esse tipo de humor precisa ser renovado com uma frequência constante.

Crônicas ‘Eternas’

Por outro lado as sitcoms são ‘crônicas da vida diária’, eventos relativamente universais que podem acontecer ou já aconteceram com qualquer pessoa. Muitas sitcoms são completamente livres de fatores ‘temporários’ como política, esportes, novelas e etc. Dificilmente um americano que não conhece nada sobre o Brasil iria rir com Casseta e Planeta mas poderá muito bem achar graça em A Grande Família, Sai de Baixo, A Diarista, Chaves e outros, da mesma maneira que nós assistimos à sitcoms estrangeiras como Fresh-Prince Bell Air (Um Maluco no Pedaço), Modern Family, Everybody Hates Chris, According to Jim, Two and a Half Men, The IT Crowd, Chaves entre tantos outros.

Um exemplo prático da universalidade e da eternidade desse tipo de humor, é o bom e velho Chaves! Quem ria assistindo Chaves 5 anos atrás, irá sentir o mesmo daqui à 20 anos. Pessoas que não eram nem nascidas na época em que Chaves foi produzido (como eu) também podem se divertir tanto quanto. Isso ocorre porque o programa é isento de um fundo ‘temporal’. A estrutura de Chaves é baseada em histórias simples que podem ocorrer em qualquer lugar e em qualquer tempo, isso tornou possível traduzir o programa para vários países e continuar adquirindo novos fãs mesmo depois da série ter sido encerrada.

As misturas

É possível misturar humor temporal com atemporal, é uma coisa estranha, mas possível. Enquanto programas que utilizam apenas um dos caminhos geralmente possuem episódios curtos, os que misturam ambos normalmente têm longa duração. Três grandes nomes do humor brasileiro agem dessa maneira: CQC, Pânico na TV e Casseta e Planeta. É possível diferenciar durante os episódios deles as partes ‘temporais (com prazo de validade)’ das ‘eternas’. Sempre causará riso ver deputados assinando sem ler uma proposta que adiciona cachaça à cesta básica (CQC) ao mesmo tempo que grande parte das ‘críticas sociais’ do CQC irão perder o sentido conforme passa o tempo.

Continua no próximo artigo =D

Postem suas opiniões aqui e sigam me os bons – Em homenagem à um personagem eterno de um tipo de humor eterno =)

P.S.

Minha intenção neste texto não foi favorecer ao tipo A ou B de humor tampouco criticar a rede Globo. Tanto o humor ‘temporário’ como o não tem seus méritos, a única diferença é o quão ‘universais’ eles são, o quão grande é o contexto aonde eles podem ser inseridos. Ambos os tipos podem possuir programas ‘bons’ e ‘ruins’ assim como QUALQUER programa de humor eh excelente para algumas pessoas e uma merda para outras.

Filmes, séries, talk shows, reality shows e etc podem ser divididos e catalogados por várias maneiras: gênero, país, recomendação etária, produtora, distribuidora, diretor e por outros aspectos menos ‘óbvios’ como estilos de roteiro, filmagem, personagens entre outros. Este texto retrata uma maneira possível de dividir o humor em um certo tipo de categoria, sem favorecer uma ou outra.

12 Comentários »

  1. Thiago 5 de September de 2010 em 16:00 - Reply

    Cara, que texto vazio e óbvio. Fora que muitas conclusões suas são erradas. E o valor nostálgico de trapalhões e Chaves? As vezes a piada é ruim mas é quase uma heresia não rir.

    O maior exemplo de algo momentâneo e outro atemporal é Monty Python ou Charles Chaplin. Monty Python com seus sketches que fazem as pessoas rir e acharem genial até hoje, embora muitas coisas de Monty Pythin seja intragável pelo nonsense, pelo contexto da época e pela cultura inglesa que conhecemos em partes. E Charles Chaplin, genial e eterno, mas um humor infantil e inocente as vezes, marca do personagem.

    Fora que dizer que algo é humor eterno e outro não é simplesmente sem fundamento, ou melhor, se apenas as piadas são boas e fora de contexto do momento, podendo rir dela daqui dezenas de anos por exemplo.
    O problema do humor é a fórmula, existe a fórmula Chico Anysio que é um tabu ainda na TV brasileira, que persiste no Zorra total. Quando apareceu Casseta e Planeta foi algo novo, original, um grupo inspirado em Monty Python com motivos brasileiros, porém com o tempo foi se esgotando e novamente, como tudo na Globo, cai vítima dos temas da próprima emissora, tendo que fazer piada com as novelas da Globo, que consome boa parte do programa. E quem não assiste novela? Você entende Casseta e Planeta se assistir as novelas da Globo, a Ana Maria Braga, o Video Show entre outras.

    Fora que existe sim um outro negócio, o humor barato e o humor que exige um pouco mais intelectualmente. A fórmula do Pânico é encher o saco de celebridades, coisas do momento e colocar gostosas na frente da TV. O CQC começou com uma proposta boa, mas ele já tem um formato, afinal ele é um programa licensiado da TV argentina. Fora que embora tenhamos bons humoristas lá, eles tem limites e são reféns da audiência igual outro programa, sendo necessário fazer piadas mais palatáveis.

    O que é importante é que os diretores de programação das TVs procurem talentosos roteiristas, bons atores e busquem coisas interessantes pois o nicho de humor mais elaborado e sem chavões já está ai. É o mal da TV aberta brasileira, são apenas alguns canais brigando pela atençao de todo um país, nivelando o humor pela preferência da maioria. Daí a carência de humor para o resto das pessoas que ficam na necessidade de TV paga. Resumindo, cara, o humor é engraçado ou náo, independente se ele é temporal ou atemporal. Se a piada foi com um causo da semana e fez a pessoa rir, que bom, ele faz a parte dele, provavelmente os diretores sabem que não poderão vender dvds ou streaming desse conteúdo no futuro pois ele só faz sentido no momento. A questão é do humor pelo humor, tem gente que gosta de chavões, gostosas e situações e reações esperadas. Tem gente que já nasceu com TV a cabo e venera Seinfeld entre outros e curte outro tipo de pegada no humor.
    Enfim, é isso, pensa bem que a sua opinião tá bem pobre.

  2. Gabriela 4 de September de 2010 em 22:05 - Reply

    Acho que você deixou de pensar no público. Eu posso te dizer com toda a certeza do mundo de que Zorra Total não está perdendo espaço. Continua com o maior ibope da Globo. Você diz isso porque não está na Classe Baixa. Os Normais, por exemplo, foi um programa que saiu do ar por não ter feito sucesso. As pessoas simplesmente não entendiam as piadas. E outra, a Globo se diz uma emissora séria, então eles não podem colocar um programa como “Pânico” no ar. Se existem 300 mil reclamações por mês somente com novelas, imagine com um programa de humor como o Pânico. Então, não como advogada da Globo, mas sei que os programas de humor atuais são para atender a maior parte da população brasileira. É bom levar isso em consideração.

  3. vinee 3 de September de 2010 em 13:17 - Reply

    Acho que o comentario de que as piadas do Tiago no Globo Esporte são ‘infantis’ era desnecessário. Ele fala coisas no programa que todos falam no dia-a-dia e não venha me dizer que ‘ai, eu não falo essas coisas!’
    Eu sinceramente, não suporto CQC, acho um programa pobre, tanto no quesito assunto quanto ‘apresentadores’, não digo nem humor apelativo, pois pra mim, aquilo não é humor. Isso sem comentar que o programa tem mais comerciais do que matérias propriamente ditas.
    Acho que CQC nunca chegou próximo de Pânico, foi o próprio programa Pânico que desceu até o nível do CQC.
    Mas quanto aos programas de humor atuais, principalmente os Globais, concordo. Didi perdeu sua graça à anos, na verdade, pra mim nunca teve. O que fazia os trapalhões divertidos era o Zacarias e Muçum.
    Zorra Total dispensa comentários. Apelativo ao extremo, reciclando personagens, como ‘Seu Saraiva’, que deveriam ser deixados lá, na lembrança dos Brasileiros como ainda sendo engraçados e divertidos.
    Caras de Pau? O que mais?
    A televisão seria muito melhor se programas como ‘Jô Soares’ passassem em horario nobre. Olhando o modo que as coisas estão hoje, acho que o humor por sí só, não basta. Fazer humor anexo à algum tipo de informação parece ser a receita. Pelo menos pra quem se interessa em coisas além de ex-BBB’s ‘atuando’, mulheres de biquini e etc…

  4. Vítor 2 de September de 2010 em 23:23 - Reply

    Correção: Dificilmente um BRASILEIRO iria rir com Casseta e Planeta. D:

  5. luiz 2 de September de 2010 em 15:08 - Reply

    putz… chamar o humor do CQC de apelativo é inexplicável, o humor do CQC é para quem é informado s/ o q se passa no noticiário ou sabe o q significa “sarcasmo”. quem só assiste novelas ou ri com o zorra total certamente não o fará no CQC, apelativo é o Pânico (oba!), q só fez piorar ao longo dos anos.
    ah, vc vê alguma graça nas colunas do Arnaldo jabor? não, né?

  6. debulha 2 de September de 2010 em 9:21 - Reply

    esse Cqc faz um humor ostensivo e apelativo, o pior é dar audiencia pra esse bando de babaca

    • Jr 2 de September de 2010 em 15:41 - Reply

      Tu é o filho do prefeito de Santo André… AHUAHUH

    • eduardo 2 de September de 2010 em 17:08 - Reply

      CQC é um tipo de humor que tem o objetivo de causar um conflito com sí próprio, é tudo uma grande ironia, e se você não é capaz de identificar isso é bem possivel que ache ostensivo e apelativo! Já o Pânico não é dos meus favoritos, me lçembra um humor circense antigo, que traziam as tais “aberrações”(que não eram nada mais do que pessoas com algum tipo de deficiência) para o palco, um exemplo é a Gorete, que perdeu o emprego após ficar bonita!

  7. Diego 2 de September de 2010 em 0:50 - Reply

    Bom texto, mas tente diminuir a repetição de palavras(Chaves por exemplo) substituindo-as por artigos, pronomes ou outras expressões que possam representá-las sem que haja perda no sentido.

    • Biduzido 2 de September de 2010 em 11:25 - Reply

      Obrigado Diegoo =D
      Este texto, originalmente, era pra falar sobre o declínio do humor na Globo, e então eu percebi que dava pra expandir o assunto em uma série de textos, então esse ficou meio ‘amarrado’, mas vou revisar sim, acho que eu não fui muito claro na questão de eu não estar criticando a Globo nem favorecendo programa x ou y, simplesmente cito os tipos de humor

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