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Dredd /// Crítica

20 de September de 2012 / autor: / em: Cinema 0

dreddposter Dredd /// CríticaUma cidade tomada pelo crime e pela corrupção, onde criminosos menores e traficantes de drogas se escondem no alto de suas favelas para se proteger da lei, aterrorizando pessoas honestas que tem ali seu único refúgio. Dois agentes da lei, vestidos de preto e bem municiados, acabam presos em uma emboscada dentro de uma dessas favelas, e terão muito trabalho para sair de lá vivos. Não, essa não é a sinopse de Tropa de Elite, cultuado filme de José Padilha, mas basta trocar as favelas nos morros do Rio de Janeiro pelas que se formam nos gigantescos prédios de Mega City One e temos Dreed, um dos filmes de ação mais honestos e empolgantes dos últimos tempos.

Esqueça o filme O Juiz (Judge Dredd), de 1995 com Sylvester Stallone, pois esta não é uma refilmagem, mas sim uma nova adaptação do personagem criado para os quadrinhos em 1977 por John Wagner e Carlos Ezquerra na revista 2000 AD. Na história a Terra está devastada pela radiação e o crescimento das cidades fizeram com que megalópoles se formassem, unindo vários grandes centros populacionais em um só. Mega City One é uma delas, e para manter a ordem em um lugar tão assolado pelo crime e corrupção a lei é representada pelos Juízes, que patrulham, prendem, julgam e, quando necessário, executam a pena no próprio local. Dreed (Karl Urban, de Senhor dos Anéis e Star Trek) é uma espécie de lenda viva entre os Juízes e é escolhido para passar um dia avaliando a recruta Anderson (Olivia Thirlby). Sua primeira chamada é de um múltiplo assassinato na torre Peach Trees, uma imensa favela vertical que abriga mais de 75 mil habitantes e também uma gangue comandada por Ma-Ma (Lena Headey, de 300 e das séries Game of Thrones e Sarah Connor Chronicles), uma perigosa traficante que distribui a droga Slo-Mo.

A fotografia e, surpreendentemente, o 3D do filme são ótimos, mostrando com riqueza de detalhes a hiperviolência dos tiroteios e explosões. O diretor Pete Travis usa o recurso da câmera lenta (que se justifica pelo efeito da droga Slo-Mo) e assim potencializa essa estilização da brutalidade que ocorre na tela, fazendo com que o espectador admire a beleza de uma bala atravessando um crânio, o que, de certa forma, acaba sendo muito mais chocante e perturbador.

dredd2 Dredd /// Crítica

Politicamente incorreto e pouco ligando para isso, o roteiro é supersimples, mas isso acaba se transformando em um grande trunfo. Não se trata de uma gigantesca saga, conspiração ou início de franquia. O personagem principal não tem uma grande motivação ou drama pessoal. A crueza do roteiro e a unidimensionalidade dos personagens combinam com o tom árido do filme, que mostra uma sociedade onde não há mais espaço para certas interações humanas. A lei do mais forte endurece as pessoas em um lugar onde não há a quem recorrer. De um lado estão os traficantes e do outro uma força policial em que, nem sempre, se pode confiar.

É evidente que o filme não mira o Brasil como alvo de qualquer tipo de sátira ou crítica social. A metáfora é muito mais antiga e tem a ver com a situação da Inglaterra nos anos 70, quando os quadrinhos foram publicados. Mas não deixa de ser curioso vermos como nosso país se encaixa perfeitamente na descrição de uma sociedade pós-apocalíptica. Se somos o país do futuro, bem que nosso futuro poderia não ser esse.

Marton Santos
Editor do Páprica. Paga no máximo 50 pratas por uma foto do Homem-Aranha cometendo algum crime. Twitter Facebook

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