Atenção, o texto abaixo fala de acontecimentos das hq’s que ainda estão sendo publicadas apenas nos Estados Unidos. Possíveis spoilers a frente.
Todo mundo está cansado de saber da superficialidade das mudanças que ocorrem nos quadrinhos todos os anos. Eventos, mortes e sagas que prometem mudar tudo para sempre, mas na verdade são tão efêmeros quanto a vida útil de uma equipe criativa no comando da revista. Volta e meia vemos escritores e desenhistas chegando super empolgados para criar aquilo que, dizem, será uma história marcante e que mudará drasticamente os rumos de algum personagem. Quem lê quadrinhos há alguns anos, como eu, passa a simplesmente ignorar algumas declarações e esperar para ver o que realmente importa: a história.
Mas algumas mudanças, logo que a gente vê, já é possível imaginar como escritores futuros farão para “consertar” tamanho erro. Certas mudanças podem servir muito bem ao propósito de uma história, mas prejudicam a mitologia de um personagem. É o que acontece com o Coringa repaginado de Scott Snyder e Greg Capullo. Tudo começou na primeira edição de Batman, logo após o reboot da editora, em outubro do ano passado. Na revista pudemos ver um vilão que arranca a pele do rosto do Coringa, criando uma espécie de máscara macabra e deixando o vilão ainda mais pirado do que já era. Após ser deixado de lado por algum tempo para a resolução do arco Corte das Corujas - que, por sinal, revelou que Bruce Wayne não é filho único – o Palhaço do Crime terá seu retorno na edição de nº 13 da revista Batman. A grande mudança, e arma de divulgação da DC, é o tão comentado “novo visual” do Coringa, que gerou brigas internas por ter sido divulgado antes da hora em previews para lojistas. A tal repaginação do vilão consiste em ter a pele de seu rosto grampeada de volta em sua face, em uma versão mais chocante e gore do mesmo Coringa de sempre. Uma solução fácil e preguiçosa, digna de qualquer adolescente cheio de espinhas na cara.
A nova fase da DC Comics vêm cometendo erro atrás de erro na concepcão de seus personagens principais. Erros básicos que ocorrem por pura incompetência dos gestores criativos da DC. Novos heróis nascem de remendos mal feitos, como o novo Lanterna Verde muçulmano, e antigos personagens tem suas características mais icônicas subvertidas, fazendo com que as revistas da editora pareçam um desfile interminável de fan-fictions mal produzidas. O Coringa é, em sua essência, um palhaço e o inconsciente coletivo da sociedade sempre flertou com o medo incompreensível que sentimos por estas criaturas. Isso simplesmente porque eles podem ser macabros por natureza, apesar de serem vendidos como inofensivos para as crianças no mundo todo. O medo inconsciente de alguém que deseja fazê-lo rir sempre foi uma das principais forças do personagem Coringa, mas torná-lo mais grotesco visualmente apenas diminui tudo isso. Ninguém o temerá mais porque possui grampos e pus saindo de seu rosto. Como disse antes, essa é uma solução primária e que apenas torna o personagem raso e sem nenhuma camada de horror psicológico. Não existe mais motivo inconsciente para temer o visual do Coringa, ele é um desfile de horrores ambulante. O Coringa criado por Heath Ledger em Batman – O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan, tinha algo de sujo e perverso, mas ainda era um palhaço. Um palhaço mendigo e depravado, mas ainda sim um palhaço. Quando esta simples característica é retirada do personagem ele passa a ser apenas um monstro genérico, que imediatamente nos leva ao estado de medo, não pelo incompreendido, mas pelo explícito.
A questão agora não é se a história mostrada será boa ou não, mas o que os roteiristas farão no futuro para trazer de volta o bom e velho Coringa que conhecemos. Este retorno é totalmente inevitável, resta saber quando se dará e se a explicação soará convincente. E antes que você diga que vale qualquer coisa em prol de uma boa história, lembre da Saga do Clone do Homem-Aranha, de A Queda do Morcego do Batman e de todas as mortes e ressureições dos quadrinhos.
Abaixo você confere um preview de Batman 13, que será lançada agora em outubro nos Estados Unidos e deve chegar por aqui em meados de junho do próximo ano.














