11 de setembro /// A repercussão de um atentado terrorista na cultura

Hoje  se completam 12 anos do atentado de 11 de setembro. Quando as torres do World Trade Center caíram, mudaram o mundo definitivamente através de um impacto social impressionante. Se os milhares de mortos no dia do atentado foram apenas a ponta do iceberg, colocando em perspectiva as mortes geradas pelas guerras do Afeganistão e do Iraque, o evento se torna ainda mais importante na forma como afetou pessoas no mundo inteiro.

O 11 de setembro foi o primeiro grande evento na história da humanidade coberto em tempo real na era da internet. A recente explosão de câmeras digitais e o fácil acesso a informação colocaram o mundo diante de vários ângulos do atentado. E, como não poderia deixar de ser, logo a indústria do entretenimento começou a mostrar os seus ângulos sobre a tragédia. Vamos relembrar algumas dessas obras que serviram para dar corpo e sentimento a esse evento que mudou nossa história.

Cinema

Muito longas e documentários foram feitos a respeito do 11 de setembro. Alguns pretendem mostrar o espírito de luta e superação do povo americano, como As Torres Gêmeas e Vôo United 93. Outros, mais simples e mais impactantes, mostram o resultado da tragédia no indivíduo, enquanto representação de toda a sociedade. Um dos filmes que melhor consegue retratar essa imagem do americano fragilizado, inseguro e impotente diante da situação é Reine Sobre Mim.

11setembrofilme

O personagem principal do filme, vivido por Adam Sandler  (sim, eu sei…), perdeu a família no atentado e passou a se isolar em seu apartamento, jogando videogames, comprando coisas que não precisa, e vivendo uma espécie de “meia vida”, onde apenas espera a hora de se juntar a seus entes queridos. A forma como o personagem é retratado, vivendo uma ilusão para tornar a vida menos insuportável, é de certa forma a maneira mais sutil de mostrar a tragédia, colocando-a como agente causador do sofrimento de milhares de pessoas. Reine Sobre Mim é um filme que consegue, sem mostrar desabamentos, fuligem e sem citar terroristas e bombas, que é possível falar sobre o 11 de setembro de uma forma menos literal e muito mais interessante.

HQs

Quando ocorreram os atentados de 11 de setembro a indústria de quadrinhos de super-heróis entrou em polvorosa. Muitos chegaram a dizer que heróis com superpoderes não fariam mais sentido naquele universo, que as pessoas naturalmente se distanciariam daquele tipo de história. O resultado não poderia ter sido mais diferente. O escapismo dos heróis colocou algum sentido no caos e hoje os filmes baseados em super-heróis estão entre os mais lucrativos do cinema. Mas que conseguiu retratar com personalidade e sensibilidade únicas os atentados não foi nenhum autor de super-heróis, e sim o gênio Art Spiegelman.

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Caso você nunca tenha ouvido falar de Spiegelman, ele é simplesmente o primeiro quadrinista a ganhar o prêmio pulitzer de jornalismo, colocando as HQs em um novo patamar de qualidade com seu Maus. Spiegelman fez uma HQ de 40 páginas, inerentemente pessoal, acusativa e polêmica sobre o 11 de setembro. Aqui, mais uma vez, vemos a visão do indivíduo como espelho da sociedade, sendo o próprio Spiegelman, suas ideias e convicções o elo entre a ficção e a tragédia real.

Séries

Imagine que um soldado americano foi capturado por Osama bin Laden e que pode ter sido cooptado pela Al Qaeda para ajudar a destruir os Estados Unidos de dentro para fora. Ok, agora troque bin Laden e Al Qaeda por um terrorista e organização fictícios e temos Homeland, uma das melhores séries da atualidade e que acaba de estrear sua terceira temporada lá fora.

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Toda a “paranóia” americana em espionar, atacar e investigar possíveis terroristas é o fio principal que conduz a série, e só parece verídica graças ao mundo pós 11 de setembro. Até que ponto o medo pode interferir na decisão das pessoas, transformar aliados em inimigos e, literalmente, enlouquecer alguém? Além de ser espetacularmente bem produzida, Homeland coloca a espionagem e a inteligência americanas em xeque, ao explorar a fragilidade de um sistema que parece infalível.

Literatura

Extremamente Alto & Incrivelmente Perto também já foi adaptado para o cinema, mas o livro escrito por Jonathan Safran Foer é tão, mas tão melhor que o filme, que merece ser citado. A trama é guiada pelo garoto Oskar, que perdeu o pai no atentado. O pai de Oskar era seu instrutor, parceiro de mistérios além de melhor amigo e sua morte deixa um vazio absurdo na vida do garoto. Ele costumava criar enigmas para estimular a inteligência de Oskar, mas um deles acabou ficando sem resposta, graças a sua morte. Enquanto tenta encontrar a resposta para a charada deixada pelo pai, Oskar acaba compreendendo a magnitude do que aconteceu.

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A forma como Foer escreve, se colocando na pele de uma criança, é simplesmente impressionante. Impossível não esquecer que se trata de um livro de ficção e sofrer junto com Oskar, tentando entender a razão de tudo o que aconteceu. O trecho em que ele percebe que o objetivo de ataques terroristas é exatamente matar pais, mães, filhos das pessoas, é um dos momentos mais emocionantes do livro.

E você? Lembra de algum outro filme, série, livro ou HQ que retrate o 11 de setembro de forma diferenciada? Deixe sua opinião nos comentários.

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  • nil

    Ótimo post, muito instrutivo e rico em sugestões. No Livro, Primeiro como tragédia, depois como farsa, o filósofo Zizek, dá um bom roteiro para entrarmos nas contradições dos (atentados?) ocorridos….rrss enovelando-os a contextos econômicos… Penso que cada vez mais a sátira forja um caminho à possíveis compreensões…. e que o cinema de “hollyoude”, como fonte auto-discursiva americana, ainda corre o bastante para atrasar o ( nosso) riso sobre isto.

  • http://twitter.com/Pedro_Saiko Pedro Marinelli (@Pedro_Saiko)

    Um filme que realmente mexeu comigo e que trata não só da “perda de alguém” e como isso nos afeta mas faz um paralelo que me surpreendeu com o atentado foi Remember Me ou Lembranças (E podem falar o que quiser…). Muito bom.
    E curti a sugestão do livro Extremamente Alto & Incrivelmente Perto. Não faz meu estilo, mas me interessou a visão de uma criança.

    o/

  • Pedro A.

    Reine Sobre Mim foi muito criticado, e quando o assisti foi realmente com um pé atrás, mas o próprio filme foi suficiente pra mudar a minha opinião. É bem o que o Marton falou, ele aborda o atentato sem em nenhum momento trazer aquela imagens que viraram o “símbolo” do 11/9. Quanto ao Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, eu lembro de ver o trailer desse filme e ficar literalmente com um nó na garganta, sem palavras. Quando finalmente eu o assisti, chorei feito uma criança em diversas parte dele, esse filme é muito, mas muito bonito, e agora mais do que nunca vou atrás do livro, já que o filme é excelente.

  • Ramon Gomes

    Reine Sobre Mim é a melhor interpretação da carreira do Sandler.

  • Henrique Z

    Dizem que este Homeland é bom mesmo, mas ainda não tive paciência pra começar a assistir.

  • https://www.facebook.com/guilherme.correia.18 Guilherme Correia

    Assisti Reine Sobre Mim, foi feito de uma forma espetacular onde mostra os efeitos em cima das pessoas e não sobre o ato em si, pelo menos ao meu ver. Filme muito impactante e incrivelmente gostei da interpretação do Sandler, o qual o comediante de um peso por se mostrar traumatizado e fragilizado a ponto de não aceitar essa realidade excluindo-a da mente como medida de proteção do seu psico-consciente.

  • http://gravatar.com/splitthead Eduardo

    Falem o que quiser mas eu adorei o Reine sobre mim.