Prince of Thorns /// O anti-herói elevado ao cubo

É normal, sempre que ocorre um grande sucesso editorial, termos uma enxurrada de publicações com temas semelhantes nas livrarias, tentando convencer o mesmo público a gastar ali seus preciosos Reais. Aconteceu isso com Harry Potter e suas dezenas de derivados, com Crepúsculo e suas imitações (ainda piores) e, mais recentemente com Cinquenta Tons de Cinza e as várias publicações com algemas e capas preto e branco que vemos hoje nas livrarias. Levando isso em conta, seria fácil imaginar que Prince of Thorns é uma tentativa de faturar em cima do sucesso monumental de Game of Thrones, afinal até a fonética do nome é semelhante. Mas apesar da temática de fantasia medieval e de seus personagens cheios de contradições morais, o livro de Mark Lawrence se diferencia através da criação de um universo único e  interessante e um personagem principal com um pé e meio no lado vilanesco, mas sem deixar de ser cativante.

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Prince of Thorns acompanha a trajetória do jovem príncipe Jorg Ancrath, que depois de ver sua mãe e irmão mortos violentamente por um rival de seu pai, passa horas preso em uma planta conhecida como Roseira Brava. Além de graves ferimentos a planta contém um veneno que dificilmente deixa sua vítima escapar da morte, mas Jorg consegue, porém não sem um preço. A experiência alterou drasticamente a personalidade de Jorg, transformando-o em uma criatura sedenta de vingança e que abraça a violência, a guerra e a morte como companheiras de sua jornada. Seria equivocado dizer que o “Príncipe dos Espinhos” é um anti-herói. Sua personalidade psicopata e sua visão distorcida de certo e errado não se encaixam na descrição de alguém por quem torcemos, tornando sua presença suportável apenas graças ao brilhante trabalho do autor, que nos prende ao personagem em uma narração em primeira pessoa. Assim como aquele mundo perturbado e cruel é o único que Jorg conheceu, temos apenas a sua perspectiva da história para criar um julgamento moral do personagem, tornando tudo muito mais agridoce do que uma história tradicional de capa e espada.

O mundo criado por Lawrence para Prince of Thorns também é um espetáculo a parte. Desde o início do livro somos tentados a situar aquela era medieval em algum período conhecido de nosso passado e quando as citações a pensadores do século 19 começam a pular das páginas, a inventividade de sua criação começa a tomar forma em nossas mentes. Castelos construídos sobre a fundação de castelos ainda maiores, que segundo os personagens chegavam a “arranhar os céus”, são apenas o início do desenho de um universo fantástico que vai se construindo lentamente  na mente do leitor.

Prince of Thorns traz ao leitor uma visão diferente do universo de fantasia tradicional, misturando magia e ciência de uma forma pouco explorada até hoje. A cada página, o leitor questiona as atitudes de Jorg ao mesmo tempo que torce para que este consiga alcançar seu objetivo principal. Apesar de todo o conflito moral, a jornada ao lado do Príncipe dos Espinhos é fascinante e repleta de surpresas e revelações fantásticas. Certamente um dos melhores livros de fantasia lançados recentemente.

Lançado aqui no Brasil pela editora Darkside Books esta é a primeira parte da Trilogia dos Espinhos, que contará ainda com King of Thorns e Emperor of Thorns.

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